Posted by: whenwe | July 24, 2007

Free Carpentry

This text was commissioned by Christian Nerf and Douglas Gimberg for the publication of the project Carpentry 101.

A minha estadia em Cape Town tem como base a residência no estúdio 2666 em Commercial Street. Com nada organizado antes da chegada, aparte de três noites numa hostel em Long Street, recebo o convite informal de Ed Young para vir residir no estúdio. É assim que o meu tempo em Cape Town passa de 3 dias a 3 semanas (talvez 4).

O estúdio está em constante actividade. Pelo menos 5 artistas trabalham aqui regularmente apesar das dificuldades finaceiras a que estão constantemente submetidos. Dois desses artistas são Christian Nerf and Doug Gimberg, que há cerca de 10 dias me convidaram para escrever um texto para a publicação Carpentry 101. Como moeda de troca pela residência, e apesar de não estar em Cape Town em trabalho, decidi dizer que sim.

O tópico interessa-me. When are two bits of wood a cross? Não sei, parece-me ser uma questão de configuração. When is a cross a religious sign? Mais uma vez uma questão de configuração e neste caso de comprimento de braços. Parece-me a mim that Carpentry 101 is a show about wood hence the question leading to the title: Why carpentry and not masonry? I think we should Free Carpentry.

hell-on-roof.jpg

Decidimos encontrar-nos no telhado do estúdio numa Segunda-Feira de manhã, num spot onde o sol bate com alguma intensidade. Eu, o Christian, Doug e Anon the dog. Durante uma hora falamos sobre religião, arte, política, ecologia, blind beliefs, a igreja católica como empresa de sucesso etc.

But again when is the cross a religious sign? E quando é que a destruição de um pedaço de madeira passa a ser a destruição de uma cruz? A questão parece-me ser girar a volta de um processo de endocrinação através do qual a cruz é associada a religião. Será então possivel dissociar a idea de cruz da idea de religião? Is it possible to dissociate the idea of cross from the idea of religion bringing it back to its basics as two bits of wood? Não creio ser possivel aniquilar o símbolo cruz, e também não será isto que Christian and Doug tentam fazer em Carpentry 101. Antes, parece-me querer questionar a forma como as pessoas assumem de forma irrefutável a ligação da cruz à religião. The prime connection here seems to me to be the relation between the cross and wood (the material) rather than the cross and religion (the faith).

‘O material tem sempre razão’ dizia o carpinteiro. Perguntei ao Doug e ao Christian se existe alguma expressão em inglês que traduza isto e eles dizem-me que não. Os materiais têm características físicas e conceptuais que podem ser usadas de forma retórica. As características físicas não podem ser ignoradas e tentar serrar uma tábua através de um dos nós resulta invariavelmente em desastre. No que diz respeito às características conceptuais dos materiais a questão complica-se, mas parece-me que um dos maiores legados da arte moderna e contemporânea prende-se com estas questões. A trangressão da tinta e do suporte desde o Impressionismo abre as portas para um catálogo de atitudes que olha para a sociedade de forma diferente, trazendo a questão do material (do media) para o centro do discurso. Talvez haja aqui um paralelo entre a questão da cruz, da madeira e da religião. Seria talvez interessante escrever um catálogo sobre as características físicas e conceptuais dos materiais recorrendo a exemplos artísticos. Seria um livro de escultura na forma de catálogo de materiais, destituído de formalismo no sentido estrito.

Às vezes ponho-me a pensar na relação entre os materias (e os processos que tranformam materiais em objectos) e a idea de linguagem. Será possível transportar alguns destes processos (como tornear, furar, serrar, colar) para a linguagem verbal escrita, resultando em algo semelhante a poesia concreta? Digo isto não através de desenhos mas através do uso da palavra. Como e que se serra um significante, e se torneia um parágrafo?

Carpentry 101 parece-me ter a ver com materiais, e com uma distancia conceptual entre a cruz e a religião, que se manifesta aparentemente impossível. No espaço da exposição o visitante encontrará um workbench e um serrote e se assim quiser poderá serrar os braços de uma estrutura de madeira semelhante a uma cruz. This symbolic act manifests a distancing from the cross in relation to religion and a drift towards the cross as wood and material. It is about questioning the relation between this ancient ‘logo’ and the idea of power, blind faith and authority. This is art at its best, because it does not emphasize something that you merely look at. It forces one to think and to question through the articulation of visual props that can be seen as art because they are contextualised in a gallery. However it is the thinking, questioning, problematising that matters. As for the mere art for looking at, it is starting to rot away in the vaults of the traditional museums.

When I asked Christian and Doug what materials were their idols made of they said: ‘No idols’ and ‘flesh and bone’ respectively. What materials are your idols made of? Lets see if you have the chutzpah, grab a saw and do whatever you have to do.

Shadow Curator

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